B
Psicóloga Bruna DuarteCARREGANDO…

Depressão: sinais que merecem atenção e quando buscar ajuda

Por Bruna Duarte, psicóloga CRP 04/62419, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental.

Há momentos em que levantar, conversar ou realizar tarefas simples exige um esforço difícil de explicar. A depressão pode afetar sentimentos, pensamentos e atividades cotidianas. Buscar informação é um começo, mas compreender o que está acontecendo exige escuta e avaliação individual.

Quais sinais merecem atenção?

Humor deprimido ou perda de interesse e prazer podem vir acompanhados de alterações no sono e no apetite, cansaço, dificuldade de concentração, culpa intensa ou desesperança. Em um episódio depressivo, esses sintomas costumam estar presentes na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas. Esse período não é uma exigência para pedir ajuda antes, principalmente se o sofrimento for intenso.

Tristeza e depressão são a mesma coisa?

A tristeza faz parte da experiência humana e pode surgir diante de perdas e frustrações. Na avaliação da depressão, o profissional considera a duração, a intensidade e o impacto do conjunto dos sintomas. Um artigo não consegue diferenciar todas as situações possíveis nem avaliar a história de quem está lendo.

Existem tratamentos?

Sim. Psicoterapias, como a Terapia Cognitivo-Comportamental, fazem parte das opções. Medicamentos podem ser indicados conforme a avaliação médica e a gravidade do quadro. Apoio social e cuidados possíveis com sono, alimentação e movimento podem complementar o tratamento, mas não devem se transformar em cobranças ou substituí-lo.

Como começar a falar sobre isso?

Você não precisa encontrar uma explicação completa antes de marcar uma consulta. Pode começar dizendo o que ficou difícil e há quanto tempo percebe mudanças. Se não souber nomear o que sente, falar sobre a rotina também pode ajudar: como estão as manhãs, os compromissos ou as atividades que antes tinham algum sentido para você.

Uma frase possível é: “Não estou conseguindo lidar com os meus dias como antes e gostaria de entender o que está acontecendo”. A primeira conversa é um espaço para construir essa compreensão, e não uma apresentação para a qual seja necessário se preparar perfeitamente.

Como apoiar uma pessoa próxima?

Ofereça uma presença que respeite o que ela consegue contar. Em vez de fazer suposições, pergunte se há alguma ajuda concreta que seria útil, como companhia para buscar atendimento. Evite prometer que uma mudança simples resolverá tudo. Também é possível reconhecer os próprios limites e procurar orientação.

Quando procurar atendimento urgente?

Pensamentos de suicídio ou risco de se machucar exigem ajuda imediata. Procure o serviço de emergência da sua região e, se possível, conte com uma pessoa de confiança para acompanhar esse momento. Para outras situações, buscar avaliação quando o sofrimento começa a interferir na vida já é um motivo suficiente: não é preciso enfrentar tudo sem apoio.