Transtorno bipolar: sintomas, episódios de humor e tratamento
Por Bruna Duarte, psicóloga CRP 04/62419, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental.
A palavra bipolaridade às vezes é usada para descrever qualquer mudança de humor. O transtorno bipolar, porém, envolve episódios com alterações importantes de humor, energia, atividade e sono. Reconhecer essas mudanças e procurar avaliação pode ajudar a organizar um tratamento adequado.
Mania, hipomania e depressão
Na mania, pode haver aumento acentuado de energia, humor muito elevado ou irritável, menor necessidade de sono, fala acelerada e decisões impulsivas com consequências importantes. Quadros graves podem exigir atendimento hospitalar. A hipomania também representa uma mudança perceptível em relação ao funcionamento habitual, mas é menos intensa que a mania.
Nos episódios depressivos, tristeza persistente ou perda de interesse podem vir acompanhadas de baixa energia, alterações de sono e dificuldade para realizar atividades. Algumas pessoas apresentam sintomas depressivos e de ativação ao mesmo tempo. Por isso, a experiência nem sempre se encaixa na ideia de dois estados completamente separados.
Quais são os principais tipos?
- Tipo I: há história de pelo menos um episódio de mania; episódios depressivos também podem ocorrer.
- Tipo II: envolve episódios depressivos e de hipomania, sem história de mania. Isso não significa que o sofrimento seja pequeno.
- Ciclotimia: envolve períodos recorrentes de sintomas de elevação e de queda do humor que não preenchem os critérios completos dos episódios anteriores.
Como é feita a avaliação?
A avaliação considera duração, intensidade e recorrência dos episódios, além da história pessoal e familiar. Mudanças no sono, uso de substâncias e outras condições de saúde precisam ser investigados. Um período de muita produtividade, sozinho, não define hipomania. É importante contar também sobre fases de maior energia, mesmo quando a busca por ajuda começou por causa da depressão.
Qual é o papel da psicoterapia?
O cuidado costuma combinar acompanhamento psiquiátrico, medicamentos e psicoterapia. A terapia pode apoiar a compreensão do quadro, o reconhecimento de mudanças e a organização da rotina. Horários regulares de sono e uma rede de apoio podem integrar esse plano. Não interrompa nem altere medicamentos por conta própria; dúvidas e efeitos indesejados devem ser discutidos com o médico.
Preparando a conversa com o profissional
Se for possível, leve exemplos de como você costuma funcionar e do que mudou. Você pode anotar perguntas sobre acompanhamento, objetivos e a participação de pessoas de confiança. Esse registro serve para facilitar a conversa, sem transformar o cotidiano em uma tentativa constante de confirmar um diagnóstico.
Quando o atendimento precisa ser rápido
Redução importante do sono junto de energia muito elevada, comportamento de risco, perda de contato com a realidade ou pensamentos de suicídio pedem avaliação imediata. Em uma emergência, procure o serviço local. A continuidade do cuidado também importa nos períodos de estabilidade.